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Dia dos Solteiros: paquera ao vivo e mercado imobiliário em transformação

Click Infohub16 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Dia dos Solteiros: paquera ao vivo e mercado imobiliário em transformação
Samantha Hewsen, fundadora do Catalogo dos Solteiros.- Foto: Amanda karolyne/Jornal de Brasília

O Dia dos Solteiros, celebrado neste sábado (15), será marcado em Brasília por ações especiais em bares da capital. A data, que destaca liberdade e independência, ganha espaço na noite brasiliense com dinâmicas de “match” ao vivo. O Jornal de Brasília conversou com especialistas e moradores para entender como é a vida de solteiro, incluindo vantagens, desafios e as mudanças que esse estilo de vida traz.

Uma das iniciativas é o Catálogo dos Solteiros, criado pela empresária Samantha Hewsen. A brincadeira, que completa um ano, surgiu da percepção de que o público estava cansado dos aplicativos de relacionamento. “Eu fotografo o pessoal e criei literalmente um catálogo físico de solteiros, onde as pessoas deixam a foto e, atrás, fica o contato”, explicou. Os participantes informam redes sociais, orientação sexual e idade para compor o verso da foto.

O funcionamento é parecido com o dos aplicativos, mas os matches acontecem ao vivo. “Ele é mais analógico, mas também é mais caloroso, tem mais contato humano, o que os aplicativos geralmente não têm”, disse Samantha. Para ela, a proposta resgata a paquera natural, com contato visual e conversas presenciais. A ação costuma ocorrer no bar Toinzinho, no Guará I, mas também é levada a outros estabelecimentos e eventos. Neste sábado (15), o encontro especial será no Toinzinho.

Para participar, a pessoa paga R$ 20 para tirar a foto na hora ou enviar uma imagem. A foto entra no catálogo virtual do dia, acessível apenas aos participantes daquele evento. Durante a semana, Samantha circula por bares de quinta a sábado e anuncia sua localização nos stories do Instagram. Ela já viu casais que se conheceram pela iniciativa começarem a namorar. No primeiro semestre de 2027, a empresária pretende lançar o aplicativo Amora, que funcionará dentro de bares e eventos para conectar pessoas em tempo real.

Outros estabelecimentos também aderiram à data, como o Ordinário Bar & Música, que terá programação especial com entrada gratuita até as 18h e atrações como o pagode Du Dudu e o grupo Sambandona. O sócio Carlos Eduardo Miranda afirmou que a data deixou de ser vista apenas como “estar sem namorado” e passou a representar liberdade e autonomia. A proposta é criar um ambiente acolhedor para celebrar a companhia de amigos e familiares sem pressões.

Fora dos bares, a solteirice envolve questões emocionais e culturais. A psicanalista Ana Paula Gimenez destacou a importância de diferenciar o desejo genuíno de se relacionar da pressão social para deixar de estar solteiro. “Viver essa solitude — estar bem consigo sem experimentar isso como abandono — permite que conexões futuras sejam construídas pelo desejo de compartilhar, e não pelo medo de ficar só”, analisou. Ela ressaltou que estar solteiro não é, por si só, bom ou ruim para a saúde mental, e que a autonomia emocional é um dos ganhos desse período.

A psicóloga clínica Gabryella Luna acrescentou que a solteirice pode abrir espaço para o desenvolvimento pessoal, mas que o estigma social varia conforme o gênero. “Socialmente, a solteirice masculina muitas vezes é associada a foco na carreira e independência. Para as mulheres, ainda pode ser vista como sinal de desamparo ou como algo que precisa ser ‘resolvido’”, afirmou. Essas cobranças podem afetar a autoestima e gerar sentimentos de inadequação.

A busca por independência também reflete no mercado imobiliário do Distrito Federal. Dados da PNAD Contínua do IBGE mostram que pessoas que moram sozinhas representam 19,9% dos lares no DF, com predominância de adultos entre 30 e 59 anos. O DF também tem o maior percentual de imóveis alugados do país (34,5%) e a maior proporção de apartamentos (38,5%). O presidente do SECOVI/DF, Eduardo Pereira, afirmou que o mercado já se adaptou a esse perfil, com alta procura por kitnets, flats e apartamentos de um quarto em regiões como Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste, Noroeste e Águas Claras.

A analista Sara Gabryelle Mendes Macau, de 24 anos, mora sozinha com duas gatas e prioriza a independência. “Eu chego a hora que quero, saio na hora que quero, minha casa permanece da maneira que eu quero”, disse. Ela admite que sente falta de compartilhar momentos com alguém, mas garante que a solidão é passageira e que sua prioridade atual é evoluir profissionalmente e aproveitar a vida.

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