Carlos Lampe é o nome por trás do sonho atual da seleção da Bolívia. O goleiro de 39 anos vive a expectativa de disputar sua primeira Copa do Mundo, uma chance que o país não tem desde 1994.
Com 64 jogos pela seleção, Lampe é o goleiro com mais partidas na história da Bolívia. Ele também disputou quatro edições da Copa América e tem 48 jogos na Libertadores.
— Todos estão com muitas expectativas. Minha esposa e minha filha virão (para o México). Uma das minhas filhas, porque as outras vão ficar. A verdade é que todos estão com expectativas, com muita animação de cumprir esse sonho. Vamos tentar fazer com que isso seja possível — disse o atleta.
Segundo ele, nenhuma de suas conquistas anteriores se compara à possibilidade de levar o país de volta ao Mundial. Suriname e Iraque são os adversários na repescagem que separam a Bolívia dessa vaga.
Nos últimos anos, Lampe enfrentou diversos times brasileiros na Libertadores pelo Bolívar. Ele brinca sobre o azar nos sorteios, que sempre colocava o clube contra equipes do Brasil.
— O Bolívar tem uma linda equipe, jogamos de igual para igual com Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, Internacional, Athletico-PR. Creio que o jogo que fomos mais difíceis de derrotar foi contra o Flamengo em 2024 — comentou.
O goleiro destacou a partida no Maracanã, onde o time boliviano esteve perto de um empate. Ele também reconhece a força dos adversários brasileiros.
— Se não vinha o Flamengo, vinha o Palmeiras (no sorteio), as duas melhores equipes na atualidade no Brasil. São times com elencos europeus. É muito difícil jogar contra eles — afirmou Lampe.
Outro fator que o jogador menciona é a altitude de La Paz, cidade onde atua pelo Bolívar. Ele explica que o time busca um ritmo acelerado para explorar essa condição.
— A verdade é que com o Bolívar levamos vantagem porque somos uma equipe agressiva, que tenta circular muito rápido. Acho que temos vantagem e fazemos (os adversários) sentirem o efeito da altura — disse.
Sua experiência no futebol sul-americano é vista como um trunfo para a repescagem. Lampe aposta na paixão característica do continente e no apoio dos torcedores bolivianos.
— Nós, tirando um jogador, somos todos bolivianos, amamos nosso país. Vivemos o futebol, seguramente, muito diferente, porque na América do Sul você sabe que há muita paixão. Acho que isso nos faz ter uma leve vantagem — avaliou.
No entanto, o goleiro pede atenção para os adversários. Ele vê equilíbrio no confronto com o Suriname.
— Vejo muito equilíbrio. Porque eles também estão nacionalizando jogadores de primeiro nível. Mas no campo vai ser muito duro, vamos ter que lidar com o estresse, a pressão, mas nós estamos acostumados — analisou.
A possível volta do atacante Marcelo Moreno à seleção é outro ponto. O jogador saiu da aposentadoria com o objetivo de disputar a Copa.
— Conheço o Marcelo, ele é um jogador histórico da seleção. Acho que eu vejo possibilidade. Vai depender do Óscar (Villegas, técnico) convocá-lo ou não — opinou Lampe.
— Mas o mais importante é que temos que passar para que se dê a ele a possibilidade de poder jogar um Mundial. Acho que um dos motivos pelo qual o Marcelo voltou é justamente esse — completou.
O técnico Óscar Villegas é apontado como fundamental na recuperação da equipe nas Eliminatórias. Ele assumiu em 2024 e obteve vitórias importantes.
A classificação para a repescagem foi confirmada com uma vitória sobre o Brasil na última rodada. Lampe chorou após o apito final.
— Pudemos ganhar no Chile, em uma Data Fifa que foi muito importante para que pudéssemos acreditar que estávamos na briga. Depois veio o Óscar, em seis rodadas estávamos praticamente eliminados. Acho que mudou um pouco o ambiente — relembrou o goleiro.
Se conseguir a classificação, Lampe quer repetir o feito da geração de 1994 e se tornar histórico para seu país.
— A única coisa que passa em minha cabeça é fechar uma etapa na seleção jogando um Mundial. Acredito que fazer história de verdade, é isso que passa em minha cabeça — finalizou.