A situação não é favorável para o início da campanha de Lula à reeleição. Seu grupo demora para reconhecer os fatores negativos e agir de forma unida, no governo e na política. Na verdade, falta um coordenador e alguém com influência sobre Lula. O que se ouve entre seus auxiliares e aliados é que ele tomará todas as decisões importantes, no seu tempo.
Enquanto isso, a CPMI do INSS vai se transformando na CPMI do Lulinha. O diálogo com o Congresso, já ruim, piora. A definição sobre quem fica e quem sai do governo, e quais serão os candidatos apoiados pelo presidente em cada estado, acontece de forma intermitente, sem direção clara.
Ontem, Lula se reuniu com as pessoas que devem compor seu palanque em São Paulo, estado importante para a eleição. Tudo indica que Fernando Haddad disputará o governo. Simone Tebet deve ser a candidata de Lula ao Senado. E o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deve ser confirmado na chapa à reeleição, pode atuar como coordenador da campanha de Lula e de Haddad no estado.
Se confirmado, esse arranjo seria o início da montagem do quadro de candidatos de Lula em todo o país. Isso é importante em uma eleição polarizada, que deve ser disputada voto a voto.
A oposição já está mais adiantada nesse trabalho, como mostrou o mapa apresentado por Flávio Bolsonaro na semana passada. Ainda há discordâncias na direita, mas as conversas começaram há mais tempo e envolvem vários partidos.
O ano começou com desgaste na avaliação de Lula, mostrado em pesquisas públicas e internas do PT e do governo. Não foi apenas o episódio do carnaval. A ideia de que os escândalos do INSS e do Master são de responsabilidade do Executivo contribui para o aumento da rejeição.
Este é outro problema que ele e sua equipe demoram a resolver. É difícil entender como Lula volta de viagem ao exterior, encontra vários problemas e não se reúne com os presidentes da Câmara e do Senado para tentar resolvê-los. De pouca utilidade é dizer em entrevista que, se o filho tiver de dar explicações sobre o INSS, que dê.
A associação de sua família a escândalos passados está presente em parte do eleitorado. Episódios como esse reativam essa imagem. Subestimar o efeito desse tipo de assunto é um amadorismo difícil de explicar.
Davi Alcolumbre já deu pelo menos dois recados de que está insatisfeito com o governo e quer conversar. Não se trata de atender a mais demandas do presidente do Congresso, que já tem muitos cargos e vantagens. Mas não ter um canal constante de diálogo com o comando do Legislativo pode ser um problema grave para um governo que, desde o primeiro dia, sabe que não tem maioria no Congresso.
Tudo isso resulta em um cenário em que o Planalto constantemente é pego de surpresa com derrotas. Não controla nem a agenda dos projetos que pretende defender na campanha eleitoral, como o fim da jornada 6×1 e a PEC da Segurança, ambos mais dependentes do presidente da Câmara, Hugo Motta, do que de Lula e seus ministros.