O mercado de caminhões usados registrou um aumento de 300% nas vendas no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Foram negociadas 289.368 unidades, segundo dados da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores).
Enquanto as vendas de caminhões novos caíram 9,4% no período, os transportadores buscaram modelos de segunda mão para renovar ou expandir suas frotas. O preço elevado dos veículos zero-quilômetro e a dificuldade de acesso ao crédito contribuíram para esse movimento.
De acordo com Marcelo Franciulli, diretor executivo da Fenabrave, o programa Move Brasil também influenciou o resultado. Muitos caminhões novos adquiridos com os incentivos do programa tiveram um usado como parte do pagamento, o que impulsionou as vendas no setor de seminovos.
Entre os modelos mais vendidos no segmento de usados, o Volvo FH liderou com 16 mil unidades. Na sequência aparecem o Ford Cargo, com 13.589 unidades, e o Mercedes-Benz Axor, com 8.074 unidades. O Ford Cargo mantém boa aceitação mesmo após o fim da produção da montadora no Brasil.
Everton Fernandes, presidente da Fenauto, afirmou que o ritmo de crescimento pode não se manter na segunda metade do ano. Ele citou a realização da Copa do Mundo e as eleições de outubro como fatores que podem desacelerar a atividade econômica. Ainda assim, a entidade mantém a previsão de um novo recorde de vendas até o fim do ano.
O mercado de picapes e comerciais leves usados também cresceu. Foram vendidas 1,034 milhão de unidades no primeiro semestre, alta de 9,8% ante 2025. Os modelos mais vendidos foram Fiat Strada (216.806 unidades), Volkswagen Saveiro (127.865) e Toyota Hilux (104.245).