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Ambiente onde ave cresce influencia destino de migração, diz estudo

Ambiente onde ave cresce influencia destino de migração, diz estudo

Um estudo publicado na revista Science no dia 25 mostrou que o destino de aves migratórias não é definido apenas pelos genes. A pesquisa, que trocou ovos entre ninhos na Holanda e na Suécia, indica que o ambiente onde os filhotes crescem também influencia a escolha do local de invernada.

Pesquisadores da Universidade de Groningen (Holanda), em parceria com colegas do Reino Unido, Noruega, Rússia e Espanha, acompanharam três grupos de papa-moscas-pretos (Ficedula hypoleuca). O primeiro grupo era formado por aves geneticamente holandesas nascidas na Holanda. O segundo era de aves geneticamente holandesas que foram levadas, ainda como ovos, para nascer na Suécia. O terceiro era de aves geneticamente suecas nascidas na Suécia.

Os cientistas instalaram geolocalizadores nas aves e monitoraram seus deslocamentos por cinco anos. A expectativa inicial era de que, se a migração fosse determinada apenas pela genética, as aves holandesas nascidas na Suécia seguiriam o mesmo destino das aves holandesas criadas na Holanda.

No entanto, os resultados mostraram o contrário. As aves transportadas ainda como ovos escolheram locais intermediários de invernada, diferentes tanto das aves holandesas criadas na Holanda quanto das aves suecas.

Segundo Christiaan Both, professor associado de ecologia da Universidade de Groningen e autor do estudo, a escolha dos locais de não reprodução no inverno resulta da combinação entre fatores genéticos e o ambiente dos primeiros meses de vida. “Nossos resultados experimentais mostram claramente que o destino migratório tem um componente programado geneticamente e uma parte baseada em onde as aves foram criadas”, afirmou.

O papa-moscas-preto é uma ave comum na Europa que migra para a África Ocidental durante o inverno europeu, percorrendo distâncias que podem ultrapassar 8 mil quilômetros. Como todos os indivíduos do estudo eram migrantes de primeiro ano, não havia a possibilidade de terem aprendido a rota em viagens anteriores.

Até agora, os estudos sobre pássaros canoros eram feitos em laboratório, o que não permitia confirmar a influência do fator ambiental no destino migratório. “De modo geral, acreditamos que a maioria dos traços tem um componente genético e ambiental, mas para os locais de migração era impossível conhecer esse componente ambiental sem translocar as aves”, explicou Both.

O estudo ainda não identifica quais fatores ambientais alteram a escolha do destino. Mesmo controlando diferenças temporais, as aves holandesas criadas na Suécia continuaram escolhendo áreas intermediárias de invernada, o que indica que outros mecanismos também estão envolvidos.

Para Both, o próximo passo é entender se as mudanças climáticas podem modificar esse processo e afetar o sucesso migratório das populações. “O que sabemos, de outros estudos com a espécie, é que o papa-moscas não consegue ajustar rapidamente o tempo de migração às primaveras cada vez mais precoces. Isto pode provocar diminuições populacionais, pois os indivíduos chegam quando já não há recursos suficientes”, concluiu.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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