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Terapia LGBTQIAPN+: a paz que a psicologia pode oferecer

Terapia LGBTQIAPN+: a paz que a psicologia pode oferecer

Wendryl Lucena, de 31 anos, vive em São Paulo desde 2024 e trabalha como analista de recursos humanos. Natural do Recife, ele cresceu com a mãe solo, que era profissional do sexo. O pai não acreditava ser o genitor. A mãe se mudou para a Paraíba com ele quando tinha um ano e meio de idade.

Wendryl cresceu em meio à prostituição, ao alcoolismo e à dependência química. Aos 10 anos, ouviu a mãe dizer que preferia ter um filho marginalizado a ter um filho “viado”. O padrasto também fazia insultos. Ele passou a catar recicláveis para comprar comida.

Aos 16 anos, voltou ao Recife para conhecer o pai. O genitor descobriu que ele se relacionava com homens e pediu que não voltasse mais. A mãe também não aceitava a bissexualidade dele. Aos 17 anos, ele começou um relacionamento com um homem de 33 anos. O namoro envolvia manipulação, agressão física e verbal, dependência emocional e abusos psicológicos.

Na terapia, Wendryl encontrou um porto seguro. Ele buscou clínicas especializadas no atendimento ao público LGBTQIAPN+. “Falar com uma pessoa que tem a mesma orientação sexual gera uma identificação”, afirmou. Hoje, ele diz se sentir em paz e realizado profissionalmente.

Ângelo Rafael Rodrigues Guimarães, de 35 anos, é psicólogo formado pelo Centro Universitário de Brasília (Ceub). Homem transexual, ele afirma que a psicologia o salvou. “Fui uma criança com episódios depressivos, tive ideação suicida”, contou. Ele trabalha em consultório particular e no Instituto Virgolim.

Ângelo afirma que o tratamento psicológico para pessoas LGBTQIAPN+ é vital. “A clínica focada nessas pessoas tende a olhar os fenômenos sociais, culturais e familiares que influenciam os estados de saúde mental”, explicou. Para ele, o acompanhamento psicológico é um fator de proteção diante do preconceito e da discriminação.

As trajetórias de Wendryl e Ângelo mostram a realidade de muitas pessoas LGBTQIAPN+ que precisam lutar para existir. A escuta qualificada tem o poder de reconstruir. Garantir acolhimento e representatividade é uma questão de sobrevivência.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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