A CASACOR Brasília abre as portas nesta quarta-feira (12) para a 34ª edição da mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo. Até 12 de outubro, a Casa do Candango, na 603 Sul, recebe 40 ambientes distribuídos em três pavimentos e assinados por 52 profissionais. Pelo segundo ano consecutivo no endereço, o evento chega em 2026 com o tema Mente e Coração, que propõe um olhar para a casa como espaço de acolhimento, bem-estar e reconexão em meio a uma rotina cada vez mais marcada pela tecnologia.
À frente da edição brasiliense estão as sócias Eliane Martins, Sheila Podestá e Moema Leão, que acumulam mais de duas décadas de atuação na organização da mostra. Eliane e Sheila fizeram a primeira participação como profissionais convidadas em 1994, com um Quarto de Casal, e passaram a integrar a administração da CASACOR no Centro-Oeste em 2000. Moema chegou no ano seguinte para reforçar a gestão e o trabalho voltado ao público.
A trajetória acompanha também as mudanças na forma de morar. Neste ano, segundo Eliane Martins, a escolha do tema nasceu de estudos de comportamento que apontam para uma necessidade de equilibrar a presença cada vez maior da tecnologia com espaços capazes de preservar vínculos, histórias e afetos. A proposta se materializa nos projetos por meio de recursos como neuroarquitetura, biofilia, iluminação indireta, vegetação, materiais naturais, aromas, música, obras de arte e peças autorais. A tecnologia não desaparece, mas passa a ser pensada como ferramenta a serviço de quem ocupa os espaços.
“Quanto mais afetiva, quanto mais lembranças, quanto mais aconchegante, é aquela casa que você quer ficar”, explica Eliane. Para a arquiteta, a edição também chega renovada pelo próprio elenco. “Estamos com um time de profissionais bem renovado, o que certamente também traz um certo vigor no evento”, afirma.
Moema Leão chama atenção para o protagonismo que a arte ganhou dentro dos ambientes. “É fundamental ter arte, porque a arte, um quadro bacana, te descansa. E toda vez que você olha para aquilo, você vê de uma maneira diferente”, destaca. Para a empresária, a edição mostra que o bem-estar dentro de casa não depende apenas da estética. “O tema ‘Mente e Coração’ representa ambientes que unem conforto, inovação e tecnologia a serviço das pessoas, criando experiências que cuidam do corpo, da mente e das emoções.” Sheila Podestá define a edição como uma mostra mais viva e acolhedora. “Este ano a mostra está colorida, aconchegante, cheia de vida. Vamos receber o público com muita hospitalidade em uma CASACOR Brasília que instiga a reconexão e a afetividade”, afirma.
Embora retorne à Casa do Candango, a organização buscou evitar a sensação de repetição. A ocupação do imóvel foi reorganizada para criar um novo percurso e oferecer ao visitante outra experiência dentro do mesmo edifício. A escolha do espaço também tem impacto para a própria instituição. Segundo Moema, além da localização e da disponibilidade de estacionamento, a parceria ajuda a dar visibilidade à Casa do Candango. Ao fim da mostra, o prédio será devolvido com melhorias que poderão contribuir para novos usos do imóvel e para a geração de receita da instituição. “Essa nossa CASACOR vindo para cá, para a Casa do Candango, vai ser muito bom mesmo e já está dando resultado”, afirma. Para ela, ocupar novamente o endereço é também uma maneira de recolocar o espaço no cotidiano da cidade e chamar a atenção do público para sua existência.
O tema escolhido para 2026 ganha interpretações distintas entre os ambientes. No Living Carbon, o arquiteto Eduardo Abdo, estreante na CASACOR Brasília, levou a própria história familiar para dentro do projeto. O espaço de 50 m² é inspirado nas avós Nilza Gomes e Terezinha Tavares e reúne obras, objetos de acervo e referências às viagens e à infância do profissional. “O tema da CASACOR esse ano é Mente e Coração. E nada mais representa isso para mim do que a minha família”, conta. Uma das avós era artista plástica por hobby e algumas das obras produzidas por ela estão expostas no ambiente. O hábito familiar de receber também aparece no projeto por meio de um grande bar pensado como ponto de encontro. A composição reúne ainda camurça, couro, malha, concreto, metal e vidro, explorando o tato e a materialidade. Os três últimos elementos estabelecem uma aproximação com a própria arquitetura de Brasília.
Já no Office Claro, o veterano Miguel Gustavo, que participa da mostra pela 25ª vez, encara outro desafio contemporâneo: tornar a tecnologia presente sem abrir mão do conforto. Em 165 m², o escritório reúne conectividade, inteligência artificial, automação, materiais naturais, mobiliário de design e uma cabine para reuniões. O diferencial é que o espaço não foi criado apenas para ser observado. Durante a mostra, o visitante poderá utilizá-lo para trabalhar, levar o computador e até realizar reuniões presenciais ou virtuais. “A ideia é que o ambiente seja totalmente conectado e totalmente utilizável”, explica Miguel. Para chegar ao resultado, o arquiteto conta que buscou equilibrar iluminação, cores, design e tecnologia para construir um escritório funcional, mas também aconchegante.
A identidade local também ocupa espaço de destaque na edição. No Sebrae Feito à Mão, o arquiteto Rick Hudson reúne trabalhos de artesãos e designers do Distrito Federal em um projeto de 100 m² que mistura loja e residência. A intenção é permitir que o visitante veja o artesanato não apenas exposto como produto, mas inserido em situações semelhantes às de uma casa. “Você passa pela loja vendo o produto como produto, mas também vendo o produto como ele estaria em casa”, explica Rick. A curadoria foi construída em conjunto com o Sebrae e inclui criações desenvolvidas especialmente para a mostra, muitas delas inspiradas na história de Brasília. Para o arquiteto, a escolha de artistas locais também ajuda a mostrar uma produção que nem sempre recebe a mesma atenção dentro da própria cidade. “Brasília é esse lugar, esse redemoinho de todas as culturas. A gente absorve um pouco de outro estado e libera um pouco do que a gente criou”, afirma.
Uma dessas histórias é contada por mãe e filha. A artesã Lorena e a estudante de arquitetura e aquarelista Anita Celidonia desenvolveram a coleção Casa Candanga, inspirada no Museu Vivo da Memória Candanga. As duas visitaram o espaço, pesquisaram sua história e estudaram também as cores do Cerrado. Anita transformou três modelos de casas em aquarelas. Depois, Lorena levou os desenhos para a estamparia, dando origem a almofadas, jogos americanos, guardanapos, caminhos e toalhas de mesa, entre outras peças. “É uma coleção inspirada no Museu Vivo da Memória Candanga”, explica Lorena.
A artesã Cibele Queiroz também olhou para a capital para desenvolver seu trabalho. Em sua primeira participação na CASACOR, apresenta coleções de joias inspiradas em pontos e imagens de Brasília, entre eles o Santuário Dom Bosco e as carpas da 308 Sul. O processo mistura técnicas e materiais como micromosaico, vitral italiano e elementos naturais. “Eu coloquei o meu foco em lugares que são maravilhosos e que às vezes a gente passa e não nota”, explica Cibele. O trabalho manual também vem de família: o pai era ourives e ferramenteiro, enquanto o avô também exercia o ofício de ferramenteiro. Para ela, a herança ajuda a explicar a relação com um trabalho que exige “precisão”, técnica e cuidado.
A experiência também vai além dos 40 ambientes. Durante os dois meses, a CASACOR terá oficinas de bordado, pintura, aquarela, estamparia e cerâmica, apresentações de MPB, jazz e música instrumental, visitas técnicas guiadas e seis encontros semanais dedicados à inteligência artificial e suas aplicações na arquitetura e nos processos criativos. Assim, entre profissionais que ajudaram a construir a história da mostra e nomes que chegam pela primeira vez, a CASACOR Brasília de 2026 tenta aproximar duas ideias que poderiam parecer opostas: uma casa cada vez mais tecnológica e, ao mesmo tempo, mais humana. É nesse encontro que “Mente e Coração” ganha forma, não apenas no desenho dos ambientes, mas nas histórias escolhidas para preenchê-los.
Vem aí o JBr Talks Especial CASACOR, apresentado pelo jornalista e colunista do Jornal de Brasília Marcelo Chaves. A série será gravada em diferentes ambientes da mostra e vai ampliar as conversas sobre arquitetura, design, tendências e os conceitos que marcam a edição de 2026.
Serviço: 34ª CASACOR Brasília. Data: 12 de agosto a 12 de outubro. Local: Casa do Candango, SGAS 603. Ingressos estão disponíveis para venda no site: appcasacor.com.br