José Batista Diniz e Maria Santa Diniz, ambos com 73 anos, estão prestes a completar bodas de ouro. Para o casal, todo dia é Dia dos Namorados, mesmo com as adversidades da vida. Eles estão juntos desde a época da escola.
O casal tem 53 anos de convivência. Dessa união nasceram dois filhos, Bruno e Tacyara, e quatro netos: Ingrid, Ester, Elena e Emily. O namoro durou três anos. Santana, como é conhecida, conta que tudo começou na escola. Eles estudavam no Marista e depois foram para outro colégio, onde iniciaram o relacionamento. “A gente fazia trabalho junto, a gente gostava de ouvir música, ele ia lá para casa, às vezes a gente ia para a casa dele para fazer trabalhos”, disse Santana. Zezinho, apelido de José, completou que na época ele levava uma “radiolinha de pilha” com discos compactos, e o namoro foi embalado pelas canções da Jovem Guarda.
Para ambos, foi o primeiro amor. Santana afirma que é bom ter alguém com quem compartilhou uma vida inteira. “Porque ele é muito parceiro e a gente tem uma paciência muito grande e se respeita bastante. A gente se ama muito até hoje”, reforçou. Ela descreve o namoro como um período suave e tranquilo.
Em setembro, eles completam 50 anos de casados, as bodas de ouro. Nas bodas de prata, há 25 anos, Santana organizou a festa, a decoração e os doces, pois tinha uma empresa de festas. Ela guarda o álbum de fotos com carinho. Este ano, a comemoração terá uma missa e uma renovação mais simples.
Para o casal, a fé sempre foi importante. Eles participam da comunidade católica. “Nós começamos nosso namoro indo para a igreja”, disse Santana. Servir na paróquia faz parte da rotina. Neste final de semana, eles vão trabalhar em um almoço para um evento do Encontro de Casais. “Eu sinto muita falta de trabalhar, de participar, mas agora eu não estou podendo trabalhar como antes, com meu problema de saúde. Mas eu sinto falta”, frisou Santana.
Santana enfrenta um sarcoma de partes moles, um tipo de câncer que atinge tecidos como músculos e gordura. Ela conta com o apoio do marido e da filha Tacyara. “A minha filha está me acompanhando em tudo. É mais um desafio. E ele está comigo direto também. Estamos mais juntos que tudo agora”, afirmou. Neste mês, ela começará a quimioterapia no Hospital de Base de Brasília. “O Zezinho vai e volta comigo das consultas e exames. Fica me esperando. Nós estamos nesta luta. Emocionalmente eu estou muito triste, mas a gente vai levando”, disse.
Ela diz que era inimaginável viver com a doença, por sempre ser ativa. “Eu gosto muito de trabalhar e agora eu vou ter que dar uma parada.” O pensamento é positivo, apesar das preocupações. “A preocupação é o que derruba a gente. Mas, com toda certeza, um vai fortalecendo o outro. Porque se não for assim, a gente não vai para a frente, não”, afirmou.
O casal se fortaleceu com o tempo. Desde as viagens para Caldas Novas de motocicleta até os dias difíceis, eles vivem com apoio mútuo. “A gente viajava muito, a gente passeava, a gente tinha uma vida bem tranquila. A gente tinha e tem até hoje uma vida bem ajeitadinha”, disse Santana. Zezinho considera que o segredo dos 53 anos juntos está na cumplicidade e no respeito. “Se não tiver isso, o casal não vai para a frente”, afirmou.
Santana diz que foi amor à primeira vista e que o que a fez continuar apaixonada foi a união e o respeito. “Não vou dizer que nunca deu um trabalhozinho não, que já teve uns trabalhozinhos. Mas nada que fizesse a gente chegar e falar assim: ‘Vou separar, não quero saber mais de você’. Isso jamais. A gente se ama muito até hoje”, disse.
Para Zezinho, o amor está na parceria diária. “Tudo é questão de cumplicidade e compreensão. Ela sempre foi uma pessoa compreensiva. Se eu falo: ‘Me dá um beijo’, mas ela fala que não, ela vai lá e me dá dois beijos”, contou. Ele acredita que o Dia dos Namorados é todo dia, nas pequenas coisas da rotina.
Nesta sexta-feira, na casa do casal, o amor estará presente como em todos os momentos. “A gente está um pouco baqueado. Não podemos viajar. Mas é tranquilo, a gente pode fazer um churrasquinho em casa mesmo, um piquenique”, comentou Zezinho. Eles contam com a força de Deus, da família e dos amigos para enfrentar os dias ruins.